01Por que o suor foge do controle térmico
As glândulas sudoríparas écrinas recebem ordem do sistema nervoso simpático para produzir suor — um sistema desenhado para regular temperatura. Na hiperidrose primária focal, esse comando sai desregulado numa área bem delimitada: axilas, palmas das mãos ou solas dos pés (às vezes mais de uma ao mesmo tempo) recebem sinal para suar mesmo sem calor, esforço físico ou motivo emocional proporcional. A transpiração aparece em repouso, no ar-condicionado, numa reunião tranquila — porque o gatilho deixou de ser só a temperatura e passou a ser a própria hiperatividade do comando nervoso.
Na maioria dos casos é simétrica (afeta os dois lados igualmente), costuma começar ainda na infância ou na adolescência e piora com o estresse emocional — o que cria um ciclo difícil de quebrar sozinho: a ansiedade de suar na frente de alguém aumenta a descarga nervosa, que aumenta o suor. No dia a dia isso pesa mais do que parece: roupa que marca, mão que escorrega no aperto, papel que umedece, calçado trocado com frequência por causa da umidade constante.
Nem todo suor excessivo é hiperidrose primária, porém. Existe também a hiperidrose secundária, sinal de outra condição de saúde — geralmente generalizada, não restrita às três áreas focais, e que pode começar de forma súbita já na vida adulta. Diferenciar uma da outra é o primeiro passo do método: tratar o sintoma sem investigar a causa, quando ela é secundária, é tratar o problema errado.