Comparativo · 6 tratamentos para Rugas Estáticas

Qual o melhor tratamento para Rugas estáticas? Comparando os 6 do núcleo

Toxina botulínica, laser CO2, peeling de fenol atenuado, laser ablativo, radiofrequência microagulhada e fios lisos. A ruga estática — aquela que continua marcada com o rosto em repouso — não tem uma “melhor ferramenta” porque as seis atuam por mecanismos diferentes: bloqueio muscular, resurfacing térmico, injúria química controlada, bioestimulação por microagulha e sustentação mecânica. Este panorama organiza o que a evidência mede em cada uma, para que a escolha siga a profundidade da ruga e o perfil do paciente — não o marketing do aparelho.

Dra. Daniele FlorêncioBiomédica · CRBM 8242-PR · Diretora Clínica
Aviso importante — leia antes

Os seis procedimentos desta comparativa são atos de profissional habilitado — este material é informativo e educativo, com base em estudos publicados. Os números aqui descrevem o que os estudos citados testaram e mediram, não uma promessa fechada de resultado para a sua pele. Um dos seis — o Peeling de Fenol Atenuado — tem uso estético proibido pela Anvisa desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024); ele aparece aqui só como contexto de evidência histórica, nunca como opção oferecida. Qual (ou quais) dos outros cinco faz sentido para o seu caso é sempre avaliação individual com a equipe.

“Qual desses seis é o melhor para ruga estática?” é a pergunta que quase todo mundo faz — e é a pergunta errada. Ela pressupõe que os seis competem pela mesma vaga, como se fossem seis marcas do mesmo produto. Não são. Ruga estática é a ruga que continua visível com o rosto totalmente em repouso — resultado de fotoenvelhecimento, glicação e perda de espessura dérmica acumulados ao longo dos anos, diferente da ruga puramente dinâmica, que só existe durante a contração muscular.

O que muda entre os seis não é “quão bom” cada um é — é o que cada um efetivamente ataca. Um bloqueia a transmissão neuromuscular. Dois promovem resurfacing térmico controlado por energia. Um provoca injúria química controlada e profunda. Um estimula colágeno por microagulhamento com calor. Um oferece sustentação mecânica associada a bioestimulação. Cada mecanismo tem uma régua própria de profundidade de ação, tempo de recuperação e nível de evidência — e é essa régua, não uma classificação geral, que decide qual serve para qual ruga e qual paciente.

Seis mecanismos, uma palavra só — por que não existe “o melhor” fora de contexto

Antes de comparar resultado, vale mapear a via de ação de cada um dos seis, porque é isso que explica por que eles não competem 1 a 1. A toxina botulínica age no sistema nervoso periférico, bloqueando a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular — reduz contração, não repõe matriz dérmica perdida. O laser CO2 e o laser ablativo (Er:YAG) agem por resurfacing térmico: vaporizam camadas da pele em padrão fracionado e geram uma resposta de cicatrização que deposita colágeno novo. O peeling de fenol atenuado age por injúria química controlada — o croton oil da fórmula determina a profundidade da queimadura controlada, historicamente a mais profunda das opções químicas. A radiofrequência microagulhada combina microagulhas isoladas com calor, entregando energia térmica na derme sem queimar a epiderme. Os fios lisos agem por sustentação mecânica e bioestimulação — o fio de polidioxanona (PDO) provoca uma resposta inflamatória controlada que estimula fibroblastos.

O mapa de mecanismos por trás dos 6 tratamentos
Cada via ataca uma causa diferente da ruga estática — por isso elas se somam, não se substituem
Bloqueio neuromuscularToxina Botulínica
Resurfacing térmicoLaser CO2 · Laser Ablativo
Injúria química controladaPeeling de Fenol Atenuado
Bioestimulação térmicaRF Microagulhada
Sustentação mecânicaFios Lisos
Por que isso importa: nenhuma das cinco vias que não são a toxina “relaxa” músculo, e a toxina não reconstrói colágeno perdido. Um paciente com ruga estática marcada e ainda algum componente de expressão residual pode, na prática clínica, precisar de mais de um mecanismo — não de escolher um “vencedor” entre os seis.
Nem toda ruga estática tem a mesma profundidade — e isso decide o tratamento

Dentro da própria categoria “ruga estática” existe uma régua de profundidade que os seis tratamentos não cobrem por igual. Numa ponta está a textura fina — a pele perdeu viço e mostra linhas superficiais mesmo em repouso, mas sem um sulco profundo. Na outra ponta está o sulco marcado — a ruga “impressa”, visível a qualquer distância, típica de fotoenvelhecimento avançado ou de áreas de dobra repetida (peribucal, glabela). A maior parte dos seis tratamentos deste núcleo foi construída, ou tem a evidência mais robusta, para uma dessas duas pontas — raramente para as duas igualmente bem.

Textura fina / superficial
Ruga estática ainda rasa, sem sulco profundo
Predomina perda de viço e microtextura, não um vinco marcado
Tratamentos deste núcleo com atuação predominantemente superficial/ajustável4 de 6
ExemplosRF microagulhada · fios lisos · toxina (residual) · CO2 em baixa densidade
Sulco profundo / marcado
Ruga estática já “impressa” na pele parada
Vinco visível a distância, típico de dano actínico avançado
Tratamentos deste núcleo com histórico de uso em profundidade2 de 6
ExemplosLaser ablativo/CO2 em alta densidade · peeling de fenol atenuado (histórico)

As barras contam quantos dos 6 tratamentos deste núcleo têm atuação predominante em cada faixa de profundidade — não medem intensidade de efeito nem substituem a avaliação da profundidade real da ruga do paciente.

O paradoxo da toxina: ela não repõe colágeno — mas a linha já estática melhora com uso repetido

É o ponto mais anti-óbvio deste panorama. A toxina botulínica é vendida — e entendida pela maioria — como “a ferramenta da ruga dinâmica”, a que some quando a pessoa para de franzir a testa. E é isso mesmo, na primeira aplicação. Mas um estudo pós-hoc de 568 participantes acompanhados por três ciclos de tratamento com toxina em 84 semanas mostrou algo que foge do senso comum: a proporção de participantes sem nenhuma linha glabelar estática (avaliada com o rosto em repouso, não em contração) saltou de 9,0% no início para 57,9% após o primeiro ciclo, e continuou subindo para 68,7% após o segundo ciclo e 71,5% após o terceiro, na avaliação dos próprios participantes — com números ainda maiores na avaliação do investigador cego (Glogau, 2021).

A explicação proposta não é que a toxina “vira” colágeno — é que a inativação muscular prolongada e repetida tira a linha estática do regime de tração mecânica constante, permitindo que a derme remodele naturalmente ao longo dos ciclos. Uma revisão da literatura sobre efeitos cumulativos aponta essa mesma direção: aplicações regulares e repetidas de toxina se associam a mudanças qualitativas na pele compatíveis com reorganização da matriz colágena — mecanismo ainda em construção, mas coerente com o achado clínico (Humphrey, 2017). A calibração honesta: esse dado é sobre linha glabelar especificamente, e sobre repetição de ciclos — não é evidência de que uma aplicação isolada “apaga” um sulco estático profundo em qualquer área do rosto.

Proporção de participantes sem nenhuma linha glabelar estática, por ciclo de toxina
Avaliação do próprio participante, com o rosto em repouso — Glogau et al., 2021 (N=568)
Antes do 1º ciclo
9,0%
Após o 1º ciclo
57,9%
Após o 2º ciclo
68,7%
Após o 3º ciclo
71,5%
Barras proporcionais aos valores medidos, não ilustrativas. É a proporção da amostra sem linha visível em repouso — não a redução percentual de profundidade de ruga por pessoa. A avaliação do investigador cego, no mesmo estudo, mostrou proporções ainda maiores em cada etapa.
Resurfacing térmico: CO2 e Er:YAG entregam resultado equivalente, com desconforto diferente

Um estudo prospectivo com 25 mulheres, usando análise perfilométrica (medição objetiva de sulco e não apenas avaliação visual), mediu a redução de ruga em quatro áreas do rosto após três sessões de laser CO2 fracionado. O resultado mais forte apareceu nas bochechas: -58,3% no tamanho da ruga e -51,3% na profundidade (p=0,018 nos dois); na região periorbital, -35,1% no tamanho e -31,1% na profundidade (p<0,001 e p=0,001) (Kohl et al., 2014). A fronte e a região perioral também mostraram melhora estatisticamente significativa no mesmo estudo, mas sem valor percentual detalhado publicado — por isso não entram no gráfico a seguir; omitir esse dado é mais honesto do que estimar um número que o estudo não deu.

Um ponto que costuma ser vendido como diferencial de marca, mas que a evidência não sustenta: um ensaio randomizado, duplo-cego e split-face — o mesmo rosto recebendo os dois lasers, um de cada lado — comparou CO2 fracionado com Er:YAG em rítides periorbitais de 28 pacientes. Resultado: ~20% de redução na profundidade da ruga com os dois lasers, sem diferença estatística entre eles; a única diferença relatada foi menos eritema com o CO2 nas primeiras semanas — o oposto do que a intuição sugeriria, já que o CO2 é geralmente percebido como “mais agressivo” (Karsai et al., 2010).

Redução de tamanho e profundidade de ruga por área facial, laser CO2 fracionado (3 sessões)
Medição por perfilometria — Kohl et al., 2014 (N=25 mulheres); demais áreas medidas no estudo, sem % publicado
Bochechas — tamanho
-58,3%
Bochechas — profundidade
-51,3%
Periorbital — tamanho
-35,1%
Periorbital — profundidade
-31,1%
Todas as reduções são estatisticamente significativas (p≤0,018). A área da bochecha respondeu mais que a periorbital neste estudo — o oposto do que a maior parte do marketing de laser periorbital sugere.
Laser CO2 fracionado
~20% de redução de profundidade
Split-face vs. Er:YAG, rítides periorbitais
Eritema nas primeiras semanasMenor
Laser Ablativo (Er:YAG)
~20% de redução de profundidade
Split-face vs. CO2, mesmo estudo, mesmos pacientes
Eritema nas primeiras semanasMaior

Karsai et al., 2010 (N=28, split-face): sem diferença estatística de eficácia entre os dois lasers — a diferença relatada foi de desconforto/eritema pós-procedimento, não de resultado final.

RF microagulhada: o parâmetro do aparelho pesa mais que a marca

Num ensaio multicêntrico prospectivo com 100 pacientes em sete centros, uma única sessão de radiofrequência fracionada microagulhada — agulhas isoladas de calibre 32G entregando energia a temperatura controlada entre 62°C e 78°C — resultou em melhora média de 25,6% na Escala de Rugas de Fitzpatrick e 24,1% na escala de flacidez aos 6 meses, com 100% de taxa de resposta para rugas e 95% para flacidez na avaliação de cinco avaliadores cegos (Alexiades-Armenakas et al., 2013). Mais de 90% dos pacientes relataram satisfação, com efeitos adversos limitados a eritema, edema e equimoses transitórios, resolvidos em 1 a 5 dias.

O detalhe anti-óbvio está na análise de subgrupo do mesmo estudo: a maior redução de ruga não veio do maior número de sessões nem de um aparelho “mais potente” — veio de uma combinação específica de temperatura e tempo de exposição (66,7°C por 4,2 segundos), que superou tanto temperaturas mais baixas quanto mais altas dentro da mesma amostra (Alexiades-Armenakas et al., 2013). Ou seja: dentro da radiofrequência microagulhada, o parâmetro escolhido pelo profissional pesa tanto quanto, ou mais do que, a categoria do tratamento em si — o que reforça por que essa é uma decisão técnica de quem está treinado, não uma escolha de rótulo.

RF microagulhada — resultado aos 6 meses após sessão única
Alexiades-Armenakas et al., 2013 — ensaio multicêntrico, N=100, avaliação cega
Redução na Escala de Rugas de Fitzpatrick
25,6%
Redução na escala de flacidez
24,1%
Taxa de resposta confirmada (rugas)
100%
Resultado de uma única sessão de RF microagulhada, avaliação por 5 examinadores cegos comparando fotos antes/depois. A prática clínica frequentemente utiliza mais de uma sessão — este estudo mediu especificamente o efeito de uma sessão isolada.
Peeling de fenol atenuado e fios lisos: os dois extremos da régua de evidência

Fecha este panorama a comparação mais desigual do grupo. Historicamente, a família fenol-croton nunca foi construída para ruga estática superficial: o croton oil — não o fenol — é quem controla a profundidade da injúria, com cicatrização de 7 a 11 dias conforme a dose (Hetter, 2000); é a via química de resurfacing mais profunda descrita, desenhada para sulco estático marcado, não para textura fina. Isso independe do fato de que, hoje, o uso estético dessa técnica está proibido no Brasil — o que aparece com destaque no callout logo abaixo.

No outro extremo está a evidência mais rala de todo o comparativo. Uma revisão sistemática que buscou em três bases de dados entre 2012 e 2022 localizou 35 artigos sobre fios PDO em rejuvenescimento facial, dos quais apenas 16 tinham rigor metodológico suficiente para entrar na análise — e a própria revisão chama o tema de tema com “lacuna teórica e metodológica” relevante (Contreras et al., 2023). O dado quantitativo mais recente localizado é uma série de casos pequena — 10 pacientes, sem grupo controle, combinando fios PDO com toxina botulínica aplicada uma hora depois: a pontuação de percepção de linhas (escala visual analógica) caiu de 5,92 para 2,37, mas o desenho do estudo não separa o que veio dos fios do que veio da toxina (Aliyeva, 2025). O racional biológico — bioestimulação por resposta inflamatória controlada — é plausível e coerente com o mecanismo de outros tratamentos deste núcleo, mas honestamente é a opção com o lastro de estudo mais fino de todo o comparativo.

Tamanho do lastro de evidência dedicada, peeling de fenol vs. fios lisos
Contagem de estudos localizados nesta pesquisa — ilustra volume de evidência, não eficácia
Peeling de Fenol — uso estético
Proibido pela Anvisa desde 2024
Fios Lisos — artigos localizados
35 encontrados
Fios Lisos — com rigor suficiente
16 selecionados
Contreras et al., 2023: de 35 artigos localizados sobre fios PDO em três bases (2012-2022), 16 tinham qualidade metodológica para revisão — a própria revisão descreve o tema como pouco estudado.
O quadro para guardar: critério por critério
CritérioToxina BotulínicaLaser CO2Peeling Fenol AtenuadoLaser Ablativo (Er:YAG)RF MicroagulhadaFios Lisos
Mecanismo de açãoBloqueio neuromuscularResurfacing térmico ablativoInjúria química controlada (profunda)Resurfacing térmico ablativoMicroagulha + calor controladoSustentação mecânica + bioestimulação
Profundidade de açãoIndireta (via redução de tração muscular)Ajustável por parâmetro; forte em bochechaA mais profunda historicamente (sulco marcado)Comparável ao CO2Dérmica, dependente de temperatura/tempoSubdérmica, ação indireta na ruga
Downtime relatadoMínimo (horas)Dias (eritema/crostas)7–11 diasDias, eritema mais prolongado que CO21–5 diasDias, edema leve
Nº de sessões (protocolo típico)Ciclos repetidos a cada 3–4 mesesSérie de 3Sessão únicaSérie, variável por profundidadeResposta já em sessão únicaGeralmente única, repetível
Durabilidade típica3–4 meses por ciclo; ganho estático cumulativoMeses, avaliado até 6 mesesHistoricamente duradoura (uso hoje proibido)MesesAcompanhado até 6 meses no estudoFio reabsorve em meses; efeito biológico não bem medido
Grau de evidênciaB — específico p/ linha glabelar, N grandeB — prospectivo, sem grupo placeboC — não voltada a esta queixa + proibidaB — RCT split-face vs. CO2B — multicêntrico, open-labelC — revisão aponta lacuna metodológica
Status regulatório (Anvisa)AprovadoAprovadoUSO ESTÉTICO PROIBIDO (RE 2.384/2024)AprovadoAprovadoAprovado
Sobre o Peeling de Fenol Atenuado nesta lista

Ele aparece nesta comparativa porque faz parte do núcleo de tratamentos historicamente discutidos para rugas estáticas profundas, e a transparência sobre o status regulatório é parte do compromisso deste material com a informação correta. Mas é importante repetir, sem ambiguidade: o uso estético do peeling de fenol atenuado está proibido pela Anvisa desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024). Nenhuma informação aqui deve ser lida como oferta, indicação ou disponibilidade do procedimento.

Um erro muito comum

Escolher o tratamento pelo aparelho mais falado do momento — em vez de partir da profundidade real da ruga, do downtime que o paciente tolera e do fototipo/textura da pele.

É o erro mais recorrente nesta queixa: pedir “o laser mais moderno” para uma textura fina que responderia bem a RF microagulhada com muito menos downtime, ou esperar de uma sessão de toxina um resultado que só a bioestimulação dérmica (laser, RF ou fios) entrega. Os dados desta comparativa mostram o oposto do que a intuição de marketing sugere em pelo menos dois pontos: o CO2, tido como “mais agressivo”, teve menos eritema que o Er:YAG num comparativo direto (Karsai, 2010); e a bochecha — não a região periorbital, mais promovida — respondeu mais ao laser CO2 num estudo perfilométrico (Kohl, 2014).

O certo: levar à avaliação a profundidade da ruga, a tolerância real a downtime e o histórico de pele (fototipo, cicatrização) — e deixar que o profissional cruze isso com o mecanismo de cada um dos seis, não com o que está mais em alta nas redes.

A Sacada dos DoutoresSeis vias diferentes para a mesma palavra — e nenhuma vence sozinha

O que mais me chama atenção quando olho os seis lado a lado é que “ruga estática” esconde uma diversidade de causas que uma única ferramenta não cobre. A toxina surpreende porque, usada em ciclos repetidos, melhora linha já estática — não por reconstruir colágeno, mas por tirar a pele do regime de tração constante que a mantinha marcada (Glogau, 2021). O laser CO2 e o Er:YAG entregam resultado equivalente entre si, o que torna a escolha entre eles mais uma questão de perfil de recuperação do que de superioridade de um sobre o outro (Karsai, 2010). A radiofrequência microagulhada mostra algo que vale para toda a categoria de aparelhos: o parâmetro técnico escolhido pode pesar mais que a marca do equipamento (Alexiades-Armenakas, 2013). E, honestamente, fios lisos e peeling de fenol atenuado ocupam as duas pontas mais frágeis deste panorama — um pela escassez de estudo dedicado, o outro porque hoje está fora do escopo de uso estético permitido no Brasil. Nenhum dos seis substitui os outros no mecanismo que não trata; a combinação, quando indicada, é decisão da avaliação — não da tabela.

DF
Dra. Daniele FlorêncioBiomédica · CRBM 8242-PR · responsável pelo conteúdo
O que levar deste comparativo
  • Os 6 tratamentos atuam por mecanismos diferentes — bloqueio neuromuscular, resurfacing térmico, injúria química controlada, microagulha com calor e sustentação mecânica — por isso não competem 1 a 1, competem por profundidade de ruga e perfil de paciente.
  • A toxina botulínica melhora linha já estática com uso repetido: de 9,0% para 71,5% dos participantes sem linha glabelar visível em repouso, do início ao 3º ciclo de tratamento (Glogau, 2021) — sem repor colágeno, por redução da tração muscular crônica.
  • CO2 fracionado e laser ablativo (Er:YAG) entregam resultado equivalente (~20% de redução de profundidade num comparativo direto) — a diferença prática está no perfil de recuperação, não na eficácia (Karsai, 2010).
  • A bochecha respondeu mais ao laser CO2 que a região periorbital num estudo perfilométrico (-58,3% vs. -35,1% no tamanho da ruga) — contraintuitivo frente ao marketing focado em “olhos” (Kohl, 2014).
  • Na RF microagulhada, o parâmetro (temperatura/tempo) pesa tanto quanto a categoria do tratamento: uma sessão bem calibrada (66,7°C/4,2s) superou variações de temperatura na mesma amostra (Alexiades-Armenakas, 2013).
  • O Peeling de Fenol Atenuado tem uso estético proibido pela Anvisa desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024) — não é oferecido, e mesmo historicamente a evidência dele mirou sulco profundo, não ruga estática superficial.
  • Fios lisos têm o racional biológico plausível, mas o lastro de evidência mais fino do grupo — uma revisão sistemática de 2023 chama o tema de “lacuna teórica e metodológica”.
O próximo passo

Se a sua ruga estática é textura fina e superficial, a conversa provavelmente começa por RF microagulhada, fios lisos ou toxina em ciclo — com downtime mais curto. Se é um sulco já marcado e profundo, laser CO2 ou laser ablativo entram com a evidência de resurfacing mais robusta deste panorama (o peeling de fenol atenuado, historicamente usado nesse cenário, está fora de cogitação por proibição regulatória). Muitos casos reais combinam mais de um mecanismo — nenhum dos seis, isoladamente, cobre toda a régua de profundidade. Qual (ou quais) combinação faz sentido para o seu rosto é o que uma avaliação individual com a equipe resolve.

Referências
  1. Glogau R, Kontis TC, Liu Y, Gallagher CJ. Progressive Improvement in Static Glabellar Lines After Repeated Treatment With DaxibotulinumtoxinA for Injection. Dermatol Surg, 2021;47(12):1579-1584 (PMID 34417396; texto completo livre em PMC8612903) — N=568; sem linha estática: 9,0%→57,9%→68,7%→71,5% (participante), do início ao 3º ciclo.
  2. Humphrey S, Carruthers J, Carruthers A. Preventive, Cumulative Effects of Botulinum Toxin Type A in Facial Aesthetics. Dermatol Surg, 2017;43 Suppl 2:S244-S251 (PMID 33065950) — revisão sobre efeitos cumulativos de toxina repetida na qualidade e estrutura da pele.
  3. Kohl E, Meierhöfer J, Koller M, Zeman F, Klein A, Hohenleutner U, Landthaler M, Hohenleutner S. Fractional carbon dioxide laser resurfacing of rhytides and photoageing: a prospective study using profilometric analysis. Br J Dermatol, 2014;170(4):858-865 (PMID 24372002) — N=25; bochechas -58,3%/-51,3% (tamanho/profundidade), periorbital -35,1%/-31,1%.
  4. Karsai S, Czarnecka A, Raulin C. Ablative fractional lasers (CO2 and Er:YAG): a randomized controlled double-blind split-face trial of the treatment of peri-orbital rhytides. Lasers Surg Med, 2010;42(2):160-167 (PMID 20166156) — split-face, N=28; ~20% de redução de profundidade de ruga, sem diferença entre CO2 e Er:YAG; menos eritema com CO2.
  5. Alexiades-Armenakas M, Newman J, Willey A, Kilmer S, Goldberg D, Garden J, Berman D, Stridde B, Renton B, Berube D, Hantash BM. Prospective Multicenter Clinical Trial of a Minimally Invasive Temperature-Controlled Bipolar Fractional Radiofrequency System for Rhytid and Laxity Treatment. Dermatol Surg, 2013;39(2):263-273 (PMID 23278964) — N=100; 25,6% de melhora na Escala de Rugas de Fitzpatrick e 100% de taxa de resposta aos 6 meses; subgrupo ótimo a 66,7°C/4,2s.
  6. Hetter GP. An examination of the phenol-croton oil peel: Part I. Dissecting the formula. Plast Reconstr Surg, 2000;105(1):227-239 (PMID 10626996) — croton oil, não o fenol, controla a profundidade da injúria; cicatrização de 7-11 dias conforme a dose.
  7. Contreras C, Ariza-Donado A, Ariza-Fontalvo A. Using PDO threads: A scarcely studied rejuvenation technique. Case report and systematic review. J Cosmet Dermatol, 2023;22(8):2158-2165 (PMID 37021458) — 16 estudos selecionados de 35 localizados; “lacuna teórica e metodológica” relevante na literatura de fios PDO.
  8. Aliyeva A. Synergistic facial rejuvenation with PDO threads and Botulinum Toxin A for aging skin. Case Rep Plast Surg Hand Surg, 2025;12(1):2546528 (PMID 40800026) — série de casos, N=10, sem controle; escala de percepção de linhas de 5,92 para 2,37, combinado com toxina.
Biomédica · CRBM 8242-PR
Conteúdo informativo e educativo. Os seis procedimentos citados são atos de profissional biomédico habilitado; os números e resultados descrevem o que os estudos referenciados testaram e mediram, não uma promessa fechada de resultado para o seu caso. O Peeling de Fenol Atenuado tem uso estético proibido pela Anvisa desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024) e não é oferecido — sua presença nesta comparativa é apenas informativa. Qual profundidade de ruga, mecanismo (ou combinação de mecanismos) é adequado ao seu caso depende de avaliação individual antes de iniciar qualquer procedimento.