O lábio não lidera o risco vascular grave da face — mas dentro dele, a regra muda

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Procedimento

Apostila 6 · Preenchimento Labial · Estudo

O lábio não lidera o risco vascular grave da face — mas dentro dele, a regra muda

Duas revisões da literatura, somando quase 160 casos de cegueira e necrose por preenchedor, apontam a glabela e o nariz — não o lábio — como as zonas mais perigosas do rosto. Isso não zera o risco labial: dentro do próprio território do lábio, o superior é mais arriscado que o inferior, e quando a oclusão vascular acontece, existe um protocolo real de reversão com hialuronidase — documentado até em caso guiado por ultrassom, não uma orientação de “esperar passar”.

Dra. Daniele FlorêncioBiomédica · CRBM 8242-PR · Diretora Clínica
Aviso importante — leia antes (apostila de segurança, atenção redobrada)

O preenchimento labial é um procedimento injetável — um ato biomédico que exige avaliação individual e execução por profissional habilitado. Este material é exclusivamente informativo e educativo: descreve o que revisões sistemáticas, guidelines de consenso e relatos de caso publicados mostraram sobre segurança, complicações e o protocolo de resposta a elas. Ele NÃO é uma instrução de emergência, NÃO substitui atendimento profissional imediato e NÃO ensina a aplicar hialuronidase em si mesmo ou em terceiros. Se você suspeita de qualquer sinal de complicação após um preenchimento — seu ou de alguém próximo — o passo correto é contato imediato com quem realizou o procedimento ou busca de atendimento de urgência, e não a leitura deste ou de qualquer outro material educativo.

Quem pesquisa “preenchimento labial risco” costuma esbarrar no medo mais divulgado: necrose, cegueira, “a artéria que estourou”. É um medo real — mas, na literatura de segurança vascular, ele está mal direcionado. As duas maiores revisões sobre complicações vasculares graves por preenchedor, somando quase 160 casos publicados, não colocam o lábio entre as zonas mais perigosas da face. Colocam a glabela e o nariz.

Isso não zera o risco no lábio. A apostila 03 já mostrou que, dentro do próprio território labial, o lábio superior carrega mais risco que o inferior — e a apostila 05 tratou das combinações que somam mais um agente ativo (a toxina) ao mesmo território. Esta apostila fecha esse raciocínio pelo lado que mais importa: onde o risco realmente concentra, o que sinaliza uma oclusão vascular em formação, e qual é — de verdade, com dose e prazo — o protocolo de resposta quando algo foge do previsto.

Onde a cegueira por preenchedor realmente concentra — e não é no lábio

A revisão de referência sobre cegueira por preenchedor levantou 98 casos publicados na literatura mundial e mapeou o local de aplicação por trás de cada um. O resultado: a glabela concentra 38,8% dos casos, e o nariz mais 25,5% — juntas, essas duas áreas respondem por quase dois terços de todos os relatos de perda de visão associada a preenchedor (Beleznay, 2015). O lábio, apesar de ser uma das áreas mais tratadas com ácido hialurônico em todo o mundo, não aparece entre os quatro locais mais citados nesta revisão.

A própria revisão discute a explicação mais aceita, e ela é anatômica, não uma questão de “técnica pior”: glabela e nariz têm ramos arteriais com conexões mais diretas e mais previsíveis com a circulação oftálmica — a rota que, em caso raro de injeção intra-arterial com fluxo retrógrado, pode levar o material até a artéria central da retina. O lábio, irrigado principalmente pelas artérias labiais (ramos da artéria facial), não compartilha essa mesma rota anatômica direta até o olho — o que ajuda a entender por que os casos de cegueira publicados não se concentram ali (Beleznay, 2015).

Onde concentram os relatos de cegueira por preenchedor
Beleznay et al., 2015 — revisão de 98 casos publicados na literatura mundial (força C, revisão de casos)
Glabela
38,8%
Nariz
25,5%
Glabela e nariz somam quase dois terços dos 98 casos revisados. O lábio não figura entre os quatro locais mais citados nesta revisão — por isso não tem barra própria aqui: a ausência não é um percentual baixo medido, é a ausência de casos suficientes para entrar no ranking dos locais mais associados a este desfecho.
A necrose tecidual segue o mesmo padrão — e o mesmo estudo mostra a cegueira concentrando ainda mais

Uma segunda revisão sistemática, com 61 pacientes que desenvolveram complicações vasculares graves após preenchedor, chegou a uma distribuição semelhante para outro desfecho: necrose tecidual. O nariz concentrou 33,3% dos casos de necrose, e o sulco nasogeniano mais 31,2% — juntos, quase dois terços dos relatos, no mesmo padrão observado para cegueira. E quando o desfecho avaliado neste mesmo estudo foi especificamente cegueira, a concentração na glabela chegou a 50% dos casos (Ozturk, 2013). Em nenhum dos dois desfechos — necrose ou cegueira, em nenhuma das duas revisões — o lábio apareceu como o local mais citado.

EstudoDesfecho avaliadoLocal mais citadoFrequência relatada
Beleznay, 2015 (98 casos)CegueiraGlabela38,8%
Beleznay, 2015 (98 casos)CegueiraNariz25,5%
Ozturk, 2013 (61 pacientes)Necrose tecidualNariz33,3%
Ozturk, 2013 (61 pacientes)Necrose tecidualSulco nasogeniano31,2%
Ozturk, 2013 (61 pacientes)CegueiraGlabela50%
Ambos os estudosCegueira e necroseLábiofora dos locais mais citados
Dentro do próprio lábio, a regra muda: o superior carrega mais risco que o inferior

Isso não significa que o lábio seja uma área sem risco vascular — significa que, comparado a glabela e nariz, os relatos graves publicados não se concentram ali. E dentro do próprio território labial, o risco também não é uniforme. Um estudo cadavérico com 15 espécimes, usando cânula 22G para localizar os pontos de maior ameaça vascular, encontrou que o lábio superior tem risco de lesão arterial maior que o inferior — as lesões mais graves se concentram nos ramos terminais da artéria labial, na chamada zona vermelha medial, e a injeção submucosa exatamente nessa região é a mais arriscada de todo o território labial (Tansatit, Apinuntrum & Phetudom, 2017).

Na prática, essa assimetria muda onde a atenção técnica precisa ser redobrada: não “o lábio” como um bloco único de risco, mas especificamente a zona vermelha medial do lábio superior — o trecho onde a artéria labial superior se aproxima mais da superfície e se ramifica. É a mesma lógica anatômica já detalhada na apostila 03, agora do ponto de vista da segurança.

Sinais de oclusão vascular — e o que fazer

A literatura de manejo de oclusão vascular descreve um conjunto de sinais que, isolados ou combinados, indicam possível comprometimento arterial durante ou logo após a injeção: dor desproporcional ao procedimento, palidez súbita da pele, um padrão de manchas arroxeadas em rede (livedo/marmoreio), esfriamento da área tratada e retorno lento da cor após pressão local (enchimento capilar prolongado). Nenhum desses sinais deve ser lido como “normal, vai passar” (Murray et al., 2021).

Isso é diferente do edema comum pós-procedimento — que costuma ser simétrico, proporcional à técnica usada, sem mudança de cor além do avermelhado esperado, e melhora de forma progressiva nos dias seguintes. O que preocupa é o padrão que piora, muda de cor de forma atípica ou vem acompanhado de dor crescente. Nesses casos, a conduta descrita na literatura de consenso é contato imediato com quem realizou a aplicação: o protocolo de reversão com hialuronidase existe, é rápido de iniciar, e quanto antes começa, menor o risco de dano permanente — especialmente pela janela curta descrita para o desfecho mais grave, a cegueira por embolização retiniana.

Quando a oclusão acontece: existe um protocolo — não uma espera

O documento de referência mais recente sobre o tema é um guideline de consenso publicado em 2021, reunindo recomendações formais para o manejo da oclusão vascular induzida por ácido hialurônico. Ele padroniza a reconstituição da hialuronidase em 1.500 UI por mililitro e recomenda redosagem a cada hora, “tratando pelo efeito clínico” — ou seja, reaplicando enquanto os sinais de comprometimento vascular persistirem, sem um número fixo de doses definido de antemão. O mesmo guideline reestima a janela crítica para infarto da artéria central da retina — o desfecho mais grave possível, associado sobretudo a glabela e nariz — entre 12 e 15 minutos a partir da oclusão (Murray, Convery, Walker & Davies, 2021).

ParâmetroValor descrito na literaturaFonte
Reconstituição da hialuronidase1.500 UI por mLMurray et al., 2021
RedosagemA cada hora, “tratando pelo efeito clínico” — sem número fixo de doses pré-definidoMurray et al., 2021
Janela crítica p/ infarto retiniano12 a 15 minutos a partir da oclusãoMurray et al., 2021
Caso real documentado no lábio5 aplicações de 5 mL, guiadas por ultrassom, revertendo isquemia em 24hFigueiredo et al., 2024
O protocolo funcionando na prática: um caso real, guiado por ultrassom

O protocolo de hialuronidase não é só teoria de guideline — há relato de caso documentando sua aplicação guiada por imagem, no próprio lábio. Um caso publicado em 2024 usou ultrassom para identificar uma compressão vascular causada por ácido hialurônico entre o plano subcutâneo e o músculo orbicular da boca, quadro que evoluiu para isquemia em 24 horas. O tratamento foi feito com 5 aplicações de hialuronidase, 5 mL cada, guiadas por ultrassom em tempo real — o que permitiu confirmar, durante o próprio atendimento, que o vaso comprimido havia sido liberado, em vez de simplesmente supor que o quadro melhoraria (Figueiredo, Coimbra, Rocha & Silva, 2024).

O que este caso mostra

Relato de caso · 2024

Ultrassom não foi usado só para diagnosticar — foi usado para guiar o tratamento em tempo real, confirmando a liberação do vaso a cada aplicação. É a evidência mais concreta desta apostila de que “protocolo de reversão” não é um conceito abstrato de guideline: é algo que já foi executado, com dose e desfecho documentados, no território labial.

Um erro muito comum

Achar que dor leve ou ausência de sangramento no momento da injeção descarta uma oclusão vascular.

A ausência de dor intensa ou de sangramento visível durante a aplicação não descarta uma oclusão em formação — os sinais mais confiáveis (mudança de cor progressiva, dor que aumenta nas horas seguintes) podem aparecer de forma gradual. No caso documentado por Figueiredo et al. (2024), a isquemia só ficou evidente 24 horas depois da aplicação, não no momento dela.

O certo: qualquer mudança de cor, textura ou dor que evolui nas horas seguintes à aplicação — mesmo que o procedimento tenha parecido tranquilo no momento — merece contato imediato com quem aplicou. Esperar para ver “se passa sozinho” é o oposto do que a literatura de manejo recomenda.

Nódulo tardio e reação imunomediada: raras, mas com prazos que mudam a leitura

Nem toda complicação tardia do preenchimento labial é vascular. Uma coorte retrospectiva com 2.139 pacientes tratados por um único injetor — a maior amostra reunida nesta apostila — relatou nódulo tardio em 0,25% dos casos tratados com VYC-15L, o gel comercializado como Volbella e o mais estudado nesta série de evidência (Rivers et al., 2022). É um número baixo, mas não zero: reforça que “nódulo” não é sinônimo automático de técnica malfeita — é um evento descrito, com frequência conhecida, mesmo em mãos experientes e de grande volume.

Mais rara ainda, e mais difícil de prever pelo calendário, é a reação inflamatória tardia imunomediada: uma série de apenas 5 casos descreveu um padrão consistente com hipersensibilidade tipo IV, com início espontâneo entre 4 e 5 meses após uma injeção sem intercorrências — e, em um dos cinco pacientes, quase 14 meses depois (Bhojani-Lynch, 2017). A distância entre a aplicação e o sintoma é justamente o que torna esse tipo de reação fácil de não conectar ao preenchimento — quem sente o sintoma meses depois nem sempre associa os dois eventos.

Nódulo tardio · VYC-15L
Coorte grande, evento raro
N=2.139, coorte retrospectiva de um único injetor (Rivers, 2022)
Frequência relatada0,25%
Reação imunomediada tipo IV
Série pequena, início tardio
N=5, série de casos; início 4-5 meses, até 14 meses (Bhojani-Lynch, 2017)
Atraso até o inícioaté 14 meses

As barras acima não estão na mesma escala de medida — a primeira mostra uma frequência real (0,25% de 2.139 pacientes); a segunda ordena, não mede: ilustra o quão tardio é o início relatado numa série pequena (N=5), não uma probabilidade calculável. Frequência e prazo de início são duas variáveis diferentes, cada uma vinda de um desenho de estudo diferente.

Fato x debate
O que é fato

As duas maiores revisões de complicações vasculares graves por preenchedor (juntas, quase 160 casos) apontam glabela e nariz — não o lábio — como as zonas mais associadas a cegueira e necrose. Essa convergência entre dois estudos independentes é o dado mais sólido desta apostila.

O que ainda exige cautela

Isso não é o mesmo que “lábio sem risco”. Dentro do próprio território labial existe assimetria real (superior x inferior), e boa parte dos dados sobre nódulo tardio, reação imunomediada e o próprio protocolo de reversão vem de coortes de um único centro, séries pequenas ou guidelines de consenso — não de ensaios clínicos randomizados comparando estratégias de resposta a complicação.

Herpes labial: risco baixo, mas com protocolo profilático nomeado

Um último ponto de segurança, já tratado com mais profundidade na apostila 04, mas que cabe reforçar aqui: a reativação de herpes labial (HSV-1) após injeção de preenchedor não excede 1,45% dos casos, segundo dado da FDA citado na literatura (Gazzola, Pasini & Cavallini, 2012). O mecanismo descrito é lesão de axônio nervoso durante a própria injeção — não contágio externo. Existe protocolo profilático nomeado: para risco padrão, aciclovir 400 mg, 2 vezes ao dia, começando 2 dias antes do procedimento e mantido por 7 dias; para quem já teve recorrência prévia de herpes labial, o guideline de consenso recomenda valaciclovir 500 mg, 1 vez ao dia, no mesmo esquema de início e duração (Vaghela, Davies, Murray, Convery & Walker, 2021).

A Sacada dos DoutoresRisco raro não é risco inexistente — e é para isso que existe protocolo

O que esta apostila mostra, com convergência entre estudos independentes, é que o medo mais divulgado sobre preenchimento labial — “vou perder a visão”, “vai necrosar” — está estatisticamente mal endereçado: glabela e nariz concentram esse tipo de desfecho grave, não o lábio. Isso é informação real e deveria acalmar um receio comum e desproporcional. Mas a mesma honestidade que corrige esse medo exagerado impede minimizar o que é real: dentro do próprio lábio, o superior carrega mais risco que o inferior; nódulos tardios e reações imunomediadas existem, com frequência e prazo documentados; e, quando uma oclusão de fato ocorre, a resposta correta tem protocolo — dose, prazo de redosagem e até um caso real guiado por ultrassom mostrando que funciona. Segurança, aqui, não é “não vai acontecer nada” nem “pode acontecer qualquer coisa”: é saber exatamente o que a literatura documentou, onde, com que frequência, e o que fazer quando os sinais aparecem.

DF
Dra. Daniele FlorêncioBiomédica · CRBM 8242-PR · responsável pelo conteúdo
O que levar desta apostila
  • Glabela (38,8%) e nariz (25,5%) concentram os relatos de cegueira por preenchedor numa revisão de 98 casos — o lábio não está entre os 4 locais mais citados (Beleznay, 2015).
  • O mesmo padrão se repete para necrose tecidual: nariz (33,3%) e sulco nasogeniano (31,2%) concentram os casos; a glabela concentra 50% da cegueira no mesmo estudo (Ozturk, 2013).
  • Dentro do próprio lábio, o risco não é uniforme: o superior é mais arriscado que o inferior, com as lesões mais graves na zona vermelha medial (Tansatit, 2017).
  • Existe protocolo formal para oclusão vascular: hialuronidase reconstituída a 1.500 UI/mL, redosada a cada hora “pelo efeito clínico”, com janela crítica de 12 a 15 minutos para infarto retiniano (Murray, 2021).
  • O protocolo já foi documentado funcionando no lábio: um caso real usou ultrassom para guiar 5 aplicações de hialuronidase e reverter uma isquemia que só ficou evidente 24h após a injeção (Figueiredo, 2024).
  • Nódulo tardio é raro (0,25% em coorte de 2.139 pacientes) e a reação imunomediada tipo IV é raríssima (N=5), mas de início tardio — até 14 meses depois (Rivers, 2022; Bhojani-Lynch, 2017).
  • Herpes labial reativa em até 1,45% dos casos e tem protocolo profilático nomeado, com esquemas diferentes para risco padrão e recorrência prévia (Gazzola, 2012; Vaghela, 2021).
O próximo passo

Agora que os números reais de segurança estão no lugar certo — nem alarmismo, nem minimização — a pergunta natural muda de direção: por que, então, tanto discurso comercial sobre preenchimento labial soa mais certo do que a própria ciência consegue confirmar? É exatamente o tema da próxima apostila da série: os termos de marketing, o que eles prometem e o que a literatura efetivamente sustenta. Confira em Marketing x ciência no preenchimento labial.

Referências
  1. Beleznay K, Carruthers JDA, Humphrey S, Jones D. Avoiding and Treating Blindness From Fillers: A Review of the World Literature. Dermatol Surg, 2015;41(10):1097-1117 — revisão de 98 casos publicados de cegueira por preenchedor; glabela (38,8%) e nariz (25,5%) concentram o risco, lábio fora do top 4.
  2. Ozturk CN, Li Y, Tung R, Parker L, Piliang MP, Zins JE. Complications Following Injection of Soft-Tissue Fillers. Aesthet Surg J, 2013;33(6):862-877 — 61 pacientes; necrose concentrada em nariz (33,3%) e sulco nasogeniano (31,2%); cegueira 50% em glabela.
  3. Tansatit T, Apinuntrum P, Phetudom T. Cadaveric Assessment of Lip Injections: Locating the Serious Threats. Aesthetic Plast Surg, 2017;41(2):430-440 — estudo cadavérico (15 espécimes); risco vascular maior no lábio superior que no inferior; lesões na zona vermelha medial.
  4. Murray G, Convery C, Walker L, Davies E. Guideline for the Management of Hyaluronic Acid Filler-induced Vascular Occlusion. J Clin Aesthet Dermatol, 2021;14(5):E61-E69 — protocolo de hialuronidase 1.500 UI/mL, redosagem horária “pelo efeito”, janela de infarto retiniano de 12-15 minutos.
  5. Figueiredo HP, Coimbra F, de Carvalho Rocha T, Silva MRMAE. Ultrasonography in the Management of Lip Complications Caused by Hyaluronic Acid. Imaging Sci Dent, 2024;54(3):296-302 — relato de caso: ultrassom identificou compressão vascular causando isquemia em 24h, revertida com 5 aplicações de hialuronidase guiadas por imagem.
  6. Rivers JK. Incidence and Treatment of Delayed-onset Nodules After VYC Filler Injections to 2139 Patients at a Single Canadian Clinic. J Cosmet Dermatol, 2022 — coorte N=2.139; nódulo tardio com VYC-15L (Volbella) em 0,25% dos casos.
  7. Bhojani-Lynch T. Late-Onset Inflammatory Response to Hyaluronic Acid Dermal Fillers. Plast Reconstr Surg Glob Open, 2017 — série de 5 casos; reação tipo IV imunomediada, início 4-5 meses, até 14 meses pós-injeção.
  8. Gazzola R, Pasini L, Cavallini M. Herpes Virus Outbreaks After Dermal Hyaluronic Acid Filler Injections. Aesthetic Surg J, 2012;32(6):770-772 — reativação de HSV-1 pós-filler não excede 1,45% dos casos (dado FDA).
  9. Vaghela D, Davies E, Murray G, Convery C, Walker L. Guideline for the Management Herpes Simplex 1 and Cosmetic Interventions. J Clin Aesthet Dermatol, 2021;14(6 Suppl 1):S11-S14 — protocolo profilático nomeado: aciclovir 400mg 2x/dia (risco padrão) ou valaciclovir 500mg 1x/dia (recorrência prévia), 2 dias antes por 7 dias.
Dra. Daniele Florêncio
Biomédica · CRBM 8242-PR
Conteúdo informativo e educativo — NÃO é indicação de tratamento, plano terapêutico nem orientação de emergência. O preenchimento labial é um procedimento injetável realizado por profissional habilitado, após avaliação individual. Os dados de segurança, os protocolos e o caso citados aqui refletem o que a literatura científica publicou — não uma instrução de conduta para o seu caso. Em caso de suspeita de qualquer complicação após um preenchimento, procure contato imediato com quem realizou o procedimento ou atendimento de urgência; não aguarde nem se automedique com base neste material.

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