Qual o melhor tratamento para Melasma? Comparando os 6 do núcleo
Peeling de Fenol Atenuado, Laser Não Ablativo, Mesoterapia, Home Care, Tratamento Oral e Peeling Superficial/Químico. Antes de comparar qualquer um dos seis, é preciso dizer uma coisa que o marketing raramente diz: melasma não é uma mancha que se resolve e acabou — é uma condição que tende a voltar. Este panorama organiza o que a evidência de cada tratamento mostra, sem prometer o que nenhum deles entrega.
Este material é informativo e educativo, com base em estudos publicados — nenhum dos seis tratamentos aqui listados “cura” melasma de forma definitiva. Quatro deles (Laser Não Ablativo, Mesoterapia, Peeling Superficial/Químico e Peeling de Fenol Atenuado) são procedimentos de profissional habilitado. O Tratamento Oral (ácido tranexâmico) é prescrição médica — o conteúdo aqui descreve o que os estudos testaram, não uma indicação; quem prescreve, ajusta a dose e faz a triagem de segurança é o médico. O Peeling de Fenol Atenuado tem uso estético proibido pela Anvisa desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024) — aparece aqui apenas como contexto de evidência, nunca como opção oferecida. Melasma tende a recidivar mesmo após resposta inicial; qual (ou quais) dos seis faz sentido para o seu caso é sempre avaliação individual com a equipe.
A maior parte das comparações de tratamento na estética responde a uma pergunta simples: “qual clareia mais rápido, ou mais fundo?” Em melasma, essa pergunta sozinha já erra o alvo. Melasma não é uma mancha solar acumulada — é uma condição pigmentar com gatilho hormonal, sensibilidade à luz visível (não só ao UV) e tendência própria a reagir com mais pigmento quando estimulada. Uma mancha solar isolada, uma vez removida, tende a não voltar sozinha. Melasma, mesmo depois de um tratamento bem-sucedido, tende a reaparecer se os gatilhos (sol, luz visível, hormônios) continuarem presentes — questão de tempo, não de “se”.
É por isso que esta comparativa não termina apontando um “melhor”. Os seis tratamentos do núcleo atuam por mecanismos muito diferentes entre si — de esfoliação química a bloqueio enzimático sistêmico — e cada um tem um papel mais claro em algum momento do cuidado: alguns clareiam, alguns mantêm, um deles é proibido hoje e entra só como contexto histórico. O fio que amarra os seis, e que nenhum deles dispensa, é a fotoproteção — sem ela, qualquer resultado tende a se perder.
Antes de julgar qualquer um dos seis tratamentos por “funcionou ou não”, vale registrar o que a própria literatura mede como desfecho principal em melasma: não é só clareamento, é manutenção do clareamento ao longo do tempo. Uma revisão sistemática de 42 estudos e 1.736 pacientes tratados com laser Q-switched Nd:YAG de baixa fluência documentou recorrência de até 81% em apenas 3 meses num dos estudos revisados, e de 58,8% em 1 ano em outro (Lee et al., 2022). Isso não é uma falha específica do laser — é uma característica do próprio melasma, presente em maior ou menor grau em todos os seis tratamentos desta comparativa: o pigmento volta porque os gatilhos (hormonais, solares, de luz visível) continuam ativos, não porque o tratamento “não funcionou”.
Essa é a razão pela qual esta comparativa evita a palavra “vencedor”. Um tratamento que clareia 50% em 12 semanas e não sustenta o resultado não é necessariamente pior do que um que clareia 30% mas é sustentável como manutenção contínua — são propostas diferentes, que respondem perguntas diferentes. É essa distinção — clarear uma vez × manter clareado — que organiza os seis blocos a seguir.
Antes de olhar os seis um a um, vale mostrar o mapa de honestidade por trás da ordem a seguir. A pesquisa desta comparativa localizou, para cada tratamento, o desenho de estudo mais robusto disponível — revisão sistemática, metanálise, RCT isolado ou apenas série de casos/coorte retrospectiva. O resultado é desigual, e essa desigualdade é o que organiza a ordem dos cards do próximo bloco, não uma opinião sobre qual “parece” mais moderno.
A ordem abaixo segue o mapa de evidência do bloco anterior — do desenho de estudo mais robusto e mais específico para melasma ao mais escasso. Ela não é uma resposta pronta a “qual devo escolher”: cada card fecha apontando o cenário em que aquele tratamento pesa mais, e a maioria funciona melhor combinada do que isolada.
Laser Não Ablativo
Maior corpo de evidência — e o mais dose-dependenteÉ o tratamento com a revisão mais ampla localizada nesta pesquisa: 42 estudos e 1.736 pacientes tratados com laser Q-switched Nd:YAG de baixa fluência (Lee et al., 2022). Mas “mais estudado” não é sinônimo de “mais previsível” — um ensaio de três braços com 75 pacientes encontrou o protocolo de baixa fluência superando tanto o de alta fluência (P<0,005) quanto um peeling de ácido glicólico (P<0,05), enquanto a alta fluência teve o pior desempenho dos três grupos, com mais efeitos colaterais (Kar, Gupta & Chauhan, 2012). O parâmetro pesa mais do que a tecnologia em si.
O ponto que exige cautela redobrada: a mesma revisão de 42 estudos documentou hipopigmentação mosqueada em 5% a 15% dos casos e hiperpigmentação de rebote em 5% a 14%, com risco maior em fototipos IV-V (Lee et al., 2022) — e um estudo com laser 585 nm voltado ao componente vascular do melasma telangiectásico relatou alta incidência de rebote justamente nos fototipos mais escuros de sua amostra (Lueangarun et al., 2021). Pesa mais em melasma com componente misto/vascular, sob protocolo conservador e acompanhamento próximo; pesa menos — e o risco sobe — em protocolos agressivos aplicados sem esse cuidado.
Peeling Superficial/Químico
A base de evidência mais robusta em fototipos altosUma revisão sistemática com metanálise, reunindo 13 estudos e 478 pacientes com melasma em fototipos escuros, encontrou que o ácido glicólico superou o TCA com diferença estatisticamente significativa (diferença média -1,89; P=0,007), e que tanto o TCA quanto a solução de Jessner superaram a hidroquinona isolada (Dorgham et al., 2020). Num comparativo direto com 30 pacientes em split-face — ácido lático de um lado, solução de Jessner do outro, aplicados a cada 3 semanas por cerca de 6 meses — os dois braços tiveram melhora estatisticamente significativa pelo MASI, e nenhum efeito colateral foi registrado em nenhum dos lados (Sharquie, Al-Tikreety & Al-Mashhadani, 2006).
É também o tratamento que, no ensaio de três braços citado no card anterior, venceu o laser de alta fluência — mas perdeu para o de baixa fluência (Kar, Gupta & Chauhan, 2012). Pesa mais como opção de manutenção de baixo risco, sobretudo em fototipos mais altos, onde tem o maior lastro de evidência desta comparativa; pesa menos quando usado como “reforço” isolado sobre um tópico já otimizado — um ensaio com peeling salicílico não encontrou ganho extra sobre hidroquinona isolada nesse cenário (Kodali et al., 2010).
Tratamento Oral
Evidência sistêmica mais forte — e prescrição médicaO ácido tranexâmico oral é o único dos seis com um desenho de estudo desenhado para responder objetivamente “quanto melhora contra placebo”: num RCT duplo-cego com 44 pacientes randomizados (39 completaram), 250 mg de ácido tranexâmico duas vezes ao dia por 3 meses reduziu o mMASI em 49%, contra 18% no grupo placebo; três meses após suspender o tratamento, a redução acumulada ainda era de 26% contra 19% do placebo, sem eventos adversos graves em nenhum dos dois grupos (Del Rosario et al., 2018). Uma metanálise em rede específica sobre dose, reunindo 6 RCTs de alta qualidade e 599 pacientes, estimou a dose ótima em 250 mg três vezes ao dia por 12 semanas — com 250 mg duas vezes ao dia como alternativa aceitável para pacientes com menor adesão (Wang et al., 2023).
Isto é informação de estudo, não indicação de uso. O ácido tranexâmico oral é medicamento sistêmico com risco — raro, mas real — de eventos tromboembólicos, e exige triagem de histórico pessoal e familiar antes de qualquer prescrição. Quem avalia essa segurança, prescreve a dose e ajusta o tratamento é sempre o médico. Pesa mais como adjuvante em melasma moderado a grave que não responde suficientemente a tópicos isolados, sempre sob acompanhamento médico contínuo.
Mesoterapia
Resultado promissor, sustentação ainda incertaEm melasma, a mesoterapia mais estudada é a microinjeção intradérmica de ácido tranexâmico, isolada ou associada a microagulhamento. Num RCT aberto com 60 pacientes (30 por braço), a microinjeção pura reduziu o MASI em 35,72% contra 44,41% no braço combinado com microagulhamento, sem eventos adversos maiores em nenhum dos grupos (Budamakuntla et al., 2013). É um resultado real e publicado — mas uma metanálise mais recente, reunindo 16 estudos sobre microagulhamento com ácido tranexâmico tópico, encontrou superioridade estatisticamente significativa apenas na semana 4 (diferença padronizada de médias 0,97; IC95% 0,09-1,86); nas semanas 8, 12, 16 e 20, a diferença deixou de ser significativa — e os próprios autores reconhecem “heterogeneidade alta” entre os estudos (Feng et al., 2024).
Esse é o ponto de honestidade mais importante deste card: o ganho aparece rápido, mas a literatura ainda não confirma que ele se sustenta. Pesa mais como impulso inicial dentro de um protocolo com manutenção tópica planejada desde o início; pesa menos como promessa de resultado duradouro isolado.
Home Care
A base que sustenta os outros cinco“Home care” aqui reúne o que se aplica em casa todos os dias: fotoproteção de amplo espectro e ativos tópicos de manutenção. Nenhum dos dois é coadjuvante — é a base sem a qual os outros cinco tratamentos perdem o resultado. Num RCT com 27 pacientes, split-face e duplo-cego, niacinamida 4% teve melhora “boa a excelente” em 44% dos casos contra 55% com hidroquinona 4%, com menos efeitos colaterais (18% contra 29%) — as duas com protetor solar diário (Navarrete-Solís et al., 2011). Cisteamina 5% mostrou eficácia comparável à combinação hidroquinona 4%/vitamina C em outro RCT (mMASI de 6,69 para 4,47 com cisteamina, de 6,26 para 3,87 com a combinação, em 4 meses; PMID 35510765).
O dado mais decisivo, porém, é sobre o próprio protetor solar: num RCT com 40 pacientes, o grupo que usou protetor solar sem filtro de óxido de ferro (que bloqueia luz visível, não só UV) teve aumento significativo do escore de melasma em 6 meses, enquanto o grupo com óxido de ferro não teve (Boukari et al., 2015) — a prova direta de que “qualquer protetor solar” não é a mesma coisa que “proteção adequada para melasma”. Pesa mais como a etapa permanente de todo protocolo, nunca como substituto de um tratamento mais intensivo quando a pigmentação é extensa.
Peeling de Fenol Atenuado
Uso estético proibido pela Anvisa desde 2024Aviso primeiro: a Anvisa proibiu o uso estético do peeling de fenol atenuado desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024). O que segue é contexto de evidência histórica — não uma opção disponível, e não deve ser lido como indicação.
Mesmo antes da proibição, é o item desta comparativa com a base de evidência mais fraca: nenhum RCT foi localizado nesta pesquisa. Uma coorte retrospectiva internacional comparando concentrações de óleo de cróton em peelings de fenol-cróton para melasma persistente e refratária a tratamentos tópicos e orais encontrou melhora relativa mediana do mMASI de 100% (IQR 100-100) no grupo com óleo de cróton abaixo de 1%, contra 88% (IQR 83-100) no grupo acima de 1%, com remissão mantida por mais de um ano em 85% dos casos e perfil de efeitos colaterais semelhante entre concentrações (Maymone et al., 2024). Uma série de casos mais antiga, com fórmula de fenol-óleo de rícino em 30 pacientes com melasma dérmico, reduziu o somatório do índice de melasma de 206,4 para 91,2, com hiperpigmentação em 5 casos e hipopigmentação em 1, sem cicatriz nem arritmia cardíaca relatada (Piamphongsant, 2006). Independentemente da proibição vigente, é evidência de coorte e série de casos — não o desenho mais forte desta comparativa.
Este é o achado mais anti-óbvio desta comparativa, e o mercado raramente conecta os pontos: Tratamento Oral, Mesoterapia e vários protocolos de Home Care mais recentes têm, na base, o mesmo ativo — o ácido tranexâmico. Ele age inibindo a conversão de plasminogênio em plasmina na epiderme, o que reduz um sinal inflamatório (via prostaglandinas) que estimula o melanócito a produzir mais pigmento após exposição à luz. O que muda entre os três não é o mecanismo — é a rota de entrega, e cada rota troca alcance sistêmico por concentração local.
Repetindo o dado do card de Home Care porque ele é central demais para ficar só ali: um RCT com 40 pacientes mostrou que o tipo de protetor solar muda o desfecho de melasma sozinho, sem nenhum outro tratamento envolvido — o grupo sem proteção contra luz visível teve piora estatisticamente significativa em 6 meses, o grupo com óxido de ferro não (Boukari et al., 2015). Isso significa que o “protetor solar qualquer” recomendado de forma genérica para outras queixas de pele não cumpre a mesma função em melasma — a proteção precisa cobrir luz visível, não só UVA/UVB. Nenhum dos cinco procedimentos desta comparativa (laser, peeling, mesoterapia, peeling de fenol) sustenta resultado sem essa base — e o tratamento oral, mesmo agindo por dentro, foi estudado sempre em conjunto com fotoproteção diária, nunca isolado dela (Del Rosario et al., 2018).
| Critério | Peeling Fenol Atenuado | Laser Não Ablativo | Mesoterapia | Home Care | Tratamento Oral | Peeling Superficial/Químico |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Cenário/indicação típica | Histórico — não oferecido hoje | Componente misto/vascular, protocolo conservador | Impulso inicial dentro de protocolo com manutenção | Base permanente de qualquer protocolo | Adjuvante em caso moderado-grave, sob prescrição | Manutenção contínua, fototipos altos |
| Downtime | Dias a semanas (peeling profundo) | Mínimo a leve | Leve (pontos/eritema) | Nenhum | Nenhum | Leve a moderado (dias) |
| Desenho de evidência mais forte | Coorte retrospectiva + série de casos | Revisão sistemática, 42 estudos | Metanálise (16 estudos), efeito não sustentado | RCTs isolados clássicos | RCT + metanálise em rede de dose | Metanálise, 13 estudos, fototipos altos |
| Risco de rebote/PIH | Não quantificado em RCT — histórico de discromia | Mosqueada 5-15% · rebote 5-14%, mais em FPT IV-V | Baixo nos estudos citados, N pequenos | Baixo com uso correto | Baixo localmente; risco sistêmico (raro) exige triagem | Baixo em protocolos leves; sobe com ácido/concentração mal escolhidos |
| Status regulatório (Anvisa) | USO ESTÉTICO PROIBIDO (RE 2.384/2024) | Aprovado | Aprovado | Livre venda / manipulado conforme ativo | Medicamento — só sob prescrição médica | Aprovado |
Escolher o protocolo mais agressivo achando que “mais forte” significa “resultado melhor e mais rápido” — quando, em melasma, é frequentemente o contrário.
A própria literatura reunida nesta comparativa mostra esse padrão se repetindo: no ensaio de três braços, o laser de alta fluência teve o pior resultado dos três grupos, não o melhor (Kar, Gupta & Chauhan, 2012). O risco de hiperpigmentação de rebote com laser sobe justamente nos protocolos mais agressivos e nos fototipos mais escuros (Lee et al., 2022; Lueangarun et al., 2021). E o peeling mais profundo desta lista — o de fenol atenuado — tem, historicamente, o perfil de efeito adverso mais sério entre os seis (Piamphongsant, 2006), além de estar hoje fora de uso estético permitido. Em melasma, “ir mais fundo” ou “usar mais energia” tende a estimular mais pigmento, não menos — o oposto do que se busca.
O certo: começar pelo protocolo mais conservador compatível com o caso, escalonar gradualmente com acompanhamento, e manter fotoproteção rigorosa em qualquer etapa — decisão de fototipo, parâmetro e ritmo é sempre da avaliação clínica, não do “quanto mais forte, melhor”.
Quando eu olho os seis lado a lado, o que mais me chama atenção não é qual “vence” — é que nenhum deles foi desenhado, nos próprios estudos, para ser usado sozinho e para sempre. O laser não ablativo e a mesoterapia entregam ganho relativamente rápido, mas o preço é sustentação incerta e, no caso do laser, risco real de piora se o parâmetro for o errado. O tratamento oral tem a evidência sistêmica mais robusta desta comparativa, mas é remédio, com triagem e prescrição que só o médico faz. O peeling superficial tem o corpo de evidência mais consistente para manutenção em fototipos altos. E o peeling de fenol atenuado, historicamente o mais agressivo dos seis, está hoje fora de uso estético permitido — e mesmo antes disso nunca teve o desenho de estudo mais forte desta lista. No meio de tudo isso, o home care — fotoproteção de amplo espectro com filtro para luz visível, mais os ativos tópicos certos — não é o “tratamento mais fraco”: é a única peça presente em todos os estudos que sustentaram resultado a longo prazo. Escolher entre os seis, e em qual ordem combiná-los, é uma decisão que muda conforme fototipo, padrão de pigmento, histórico hormonal e tolerância à manutenção contínua — e essa leitura cabe à avaliação clínica, não a uma tabela.
- Melasma é recidivante por definição — recorrência de até 81% em 3 meses e 58,8% em 1 ano já foi documentada mesmo após tratamento eficaz (Lee et al., 2022); nenhum dos 6 “resolve para sempre”.
- Mais agressivo tende a ser pior, não melhor: laser de alta fluência teve o pior resultado dos três braços de um estudo (Kar et al., 2012); risco de rebote sobe com protocolos mais fortes e fototipos mais escuros.
- O Peeling de Fenol Atenuado tem uso estético proibido pela Anvisa desde 25/06/2024 (RE nº 2.384/2024) e, mesmo antes disso, era o item com a base de evidência mais fraca desta lista.
- O ácido tranexâmico é o fio comum entre 3 dos 6 — oral, mesoterapia e formulações de home care usam o mesmo mecanismo, em rotas com trade-offs diferentes de alcance sistêmico e segurança.
- O Tratamento Oral tem a evidência sistêmica mais robusta (49% de redução de mMASI vs. 18% do placebo, Del Rosario et al., 2018), mas é prescrição médica — quem indica, ajusta e faz a triagem de segurança é o médico.
- Fotoproteção com filtro para luz visível não é opcional — um RCT mostrou piora do melasma em 6 meses apenas por trocar o tipo de protetor solar (Boukari et al., 2015).
- Nenhum dos 6 substitui a avaliação individual — fototipo, padrão de pigmento e histórico hormonal decidem a combinação certa, não uma tabela.
Se a queixa é melasma, os seis tratamentos desta comparativa são ferramentas reais, cada uma com evidência publicada — e nenhuma delas, sozinha, resolve o quadro para sempre. Fotoproteção com filtro para luz visível é a base que nenhuma pula. A partir daí, qual procedimento (ou qual combinação, incluindo se o tratamento oral entra na conversa com o médico) faz sentido para o seu fototipo e o seu padrão de melasma é o que uma avaliação individual com a equipe resolve.
- Kar HK, Gupta L, Chauhan A. A comparative study on efficacy of high and low fluence Q-switched Nd:YAG laser and glycolic acid peel in melasma. Indian J Dermatol Venereol Leprol, 2012;78(2):165-171 (PMID 22421647) — n=75, 3 grupos: baixa fluência > peeling glicólico > alta fluência (P<0,005 e P<0,05); alta fluência com pior resultado e mais efeitos colaterais.
- Lee YS, Lee YJ, Lee JM, Han TY, Lee JH, Choi JE. The Low-Fluence Q-Switched Nd:YAG Laser Treatment for Melasma: A Systematic Review. Medicina (Kaunas), 2022;58(7):936 — revisão de 42 estudos, 1.736 pacientes: hipopigmentação mosqueada 5-15%, rebote 5-14%, recorrência de até 81% em 3 meses e 58,8% em 1 ano em estudos revisados.
- Lueangarun S, Sriviriyakul K, Tempark T, Managit C, Sittisaksomjai S, Sirithanabadeekul P. Postinflammatory and rebound hyperpigmentation as a complication after treatment efficacy of telangiectatic melasma with 585 nanometers Q-switched Nd:YAG laser and 4% hydroquinone cream in skin phototypes III-V. J Cosmet Dermatol, 2021;20(6):1700-1708 — n=21: alta incidência de PIH e rebote em fototipos mais escuros.
- Ren R, Bao S, Qian W, Zhao H. Efficacy and Safety of Picosecond Laser in the Treatment of Melasma: A Network Meta-analysis. Dermatol Surg, 2023;49(5S):S49-S55 (PMID 37116000; DOI 10.1097/DSS.0000000000003775) — 20 estudos, 1.182 pacientes: combinação laser picossegundo + ácido tranexâmico tende a superar monoterapia.
- Dorgham NA, Hegazy RA, Sharobim AK, Dorgham DA. Efficacy and tolerability of chemical peeling as a single agent for melasma in dark-skinned patients: A systematic review and meta-analysis of comparative trials. J Cosmet Dermatol, 2020;19(11):2812-2819 (PMID 32947652) — 13 estudos, 478 pacientes: glicólico superior ao TCA (P=0,007); TCA e Jessner superiores à hidroquinona isolada.
- Sharquie KE, Al-Tikreety MM, Al-Mashhadani SA. Lactic acid chemical peels as a new therapeutic modality in melasma in comparison to Jessner’s solution chemical peels. Dermatol Surg, 2006;32(12):1429-1436 (PMID 17199649) — n=30, split-face: melhora significativa nos dois grupos, sem efeitos colaterais registrados.
- Kodali S, Guevara IL, Carrigan CR, et al. A prospective, randomized, split-face, controlled trial of salicylic acid peels in the treatment of melasma in Latin American women. J Am Acad Dermatol, 2010;63(6):1030-1035 (PMID 20889235) — n=18: peeling salicílico não somou benefício estatisticamente significativo sobre hidroquinona 4% isolada.
- Budamakuntla L, Loganathan E, Suresh DH, et al. A randomised, open-label, comparative study of tranexamic acid microinjections and tranexamic acid with microneedling in patients with melasma. J Cutan Aesthet Surg, 2013;6(3):139-143 (PMID 24163529) — n=60: MASI -35,72% (microinjeção) vs. -44,41% (microinjeção + microagulhamento); sem eventos adversos maiores.
- Feng X, et al. The efficacy and safety of microneedling with topical tranexamic acid for melasma treatment: A systematic review and meta-analysis. J Cosmet Dermatol, 2024 (PMID 37584240; DOI 10.1111/jocd.15965) — 16 estudos: superioridade significativa só na semana 4 (SMD 0,97); efeito não sustentado nas semanas 8-20; heterogeneidade alta reconhecida pelos autores.
- Del Rosario E, Florez-Pollack S, Zapata L Jr, et al. Randomized, placebo-controlled, double-blind study of oral tranexamic acid in the treatment of moderate-to-severe melasma. J Am Acad Dermatol, 2018;78(2):363-369 (PMID 28987494) — n=44 (39 completaram): mMASI -49% (TA) vs. -18% (placebo) aos 3 meses; -26% vs. -19% aos 6 meses; sem eventos adversos graves.
- Wang WJ, Wu TY, Tu YK, Kuo KL, Tsai CY, Chie WC. The optimal dose of oral tranexamic acid in melasma: A network meta-analysis. Indian J Dermatol Venereol Leprol, 2023;89(2):205-212 (PMID 36332095) — 6 RCTs, 599 pacientes: dose ótima 250 mg 3x/dia por 12 semanas.
- Navarrete-Solís J, Castanedo-Cázares JP, Torres-Álvarez B, et al. A Double-Blind, Randomized Clinical Trial of Niacinamide 4% versus Hydroquinone 4% in the Treatment of Melasma. Dermatol Res Pract, 2011;2011:379173 (PMID 21822427) — n=27, split-face: melhora boa-excelente 44% (niacinamida) vs. 55% (HQ); efeitos colaterais 18% vs. 29%.
- Boukari F, Jourdan E, Fontas E, et al. Prevention of melasma relapses with sunscreen combining protection against UV and short wavelengths of visible light: A prospective randomized comparative trial. J Am Acad Dermatol, 2015;72(1):189-190.e1 (PMID 25443629) — n=40: piora significativa do escore de melasma em 6 meses sem filtro de óxido de ferro; sem piora com o filtro.
- Maymone MBC, Mirza FN, Steiner D, et al. Comparative long-term efficacy of phenol-croton oil chemical peels for persistent melasma at varied Croton tiglium oil concentrations. J Am Acad Dermatol, 2024;91(2):336-338 (PMID 38574769) — coorte retrospectiva: melhora relativa mediana do mMASI 100% (CO<1%) vs. 88% (CO>1%); remissão >1 ano em 85% dos casos.
- Piamphongsant T. Phenol-castor oil: modified peel for dermal melasma. Dermatol Surg, 2006;32(5):666-669 (PMID 16706754) — n=30: índice de melasma somado 206,4→91,2; hiperpigmentação em 5 casos, hipopigmentação em 1.